7 de fevereiro de 2014

Enxaqueca


Arte: Gabriel Wickbold


Expulso
a placenta
contraindo
a face
: meu disfarce
de mim.
Rugas de
expressão
são dor de um 
parto que
aparta o que 
sou do que serei.
– Doutor, minha
enxaqueca tem asas;
liberto o pássaro,
posso dormir em paz?

4 comentários:

José Carlos Sant Anna disse...

Aqui está uma poética de corpo ou uma poética de rosto? Uma louvação também ao pássaro que habita a poeta. Outro poema da sua lavra a falar do ser. Queria também asas para as minhas enxaquecas!
Beijos, Tania!

J. Ribas disse...

para quê dormir em paz se dessa inquietude é que nasce a poesia! parto eterno de se gerar! abraços!

Breve Leonardo disse...


[essa dor que nos aparta

do voo,
de nós.
Procuremos a raiz, a voz...]

um imenso abraço, Tania

bL

Sônia Brandão disse...

Tecer um poema pode ser uma forma de dar asas à dor.

Bonito, Tania. Gostei.

bjs