29 de outubro de 2013

Agora é ontem






 Desafio Poético com Imagens - Imagem: E. Zola


Ainda é ontem.

Disseram-lhe
para não voltar.

Falaram-lhe que
o tempo passa.

Que a tempestade
prometida desabou sem
deixar sobreviventes.

E ainda é ontem, contudo.

O tempo parou na
hora em que ele
jogou a lingerie
aos pés da cama
[“Diz que me ama, diz!"]

Antes que as águas
inundassem o mundo.

Antes que o rio fizesse
flutuar a roupa íntima
botas, brincos e anéis...

Era preciso urgência
nas carícias e no gozo.

A tempestade prometida
desabaria a qualquer minuto.

Ela chegou com medo
de que o passado pudesse
pôr fim aos sonhos que
ainda persistiam agora.

Mas ainda é ontem.
O fim está, eternamente,
prestes a acontecer

Ela não sabe.
Receia o que
aconteceu há anos.

Não vê que o sol brilha
e que a relva verde mistura-se
agora a pedaços de concreto
da casa, da vida que já não há...

No seu sonho
ainda há tempo de viver
desesperadamente.

3 comentários:

jorge pimenta disse...

mesmo que hoje seja ontem e ontem outro tempo qualquer, há irreprimíveis e irreparáveis vivemos à margem do calendário. são assim as inevitabilidades e urgências de se ser.

beijinho grande!

Assis Freitas disse...

o tempo é sempre um futuro em pretérito



beijo

José Carlos Sant Anna disse...

As margens do tempo são inalcançáveis. São sempre margens que se ilimitam em novas margens num movimento de alteração e errância.
Mas no circuito da minha fala quero deixar uma abraço carinhoso, afetuoso, fraternal a essa poeta maior; à lira que me chama, chama a ti também e não é apenas coincidência que tenhamos o mesmo signo.
Um abraço que se detenha, que se desenrole, se equilibre nos teus braços na comemoração das primaveras que também nos une.
Beijos, minha querida amiga.

P.S.: Parabéns de aniversário, dizem, não deve ser antes.