10 de junho de 2014

Onde antes era pele




Imagem: web


Saudade das borboletas
– diurnos insetos lepidópteros 
do passado.

Saudade era lembrança
nostálgica de coisas ou
pessoas distantes ou extintas.

Pessoas eram seres humanos
considerados na sua individualidade
física ou espiritual.

Individualidade era particularidade
que distinguia coisas e pessoas.

Humanos choravam quando
se encontravam com borboletas.

Choro eram lágrimas;
lágrimas, secreção aquosa
da glândula lacrimal;
glândulas segregavam ou
excretavam substâncias.

Saudade era coisa que
cintilava na escuridão.

Mas a saudade persiste
quando tudo acaba.

Essa vontade de voltar pra casa
é atavismo que irrompe dos
mecanismos automáticos que
somos nós, escorrendo como
fio d’água pela superfície do
que antes se chamava pele.

Saudades das borboletas...

5 comentários:

cirandeira disse...

Dizem que quando as borboletas desaparecem de um jardim é porque
já não podem polinizar, no jardim
já não há vida.

A facie sob a pele vai perdendo a elasticidade necessária restando apenas um resquício de medula, o fio atávico que teima em sentir saudades.

Mas as borboletas têm "pulmões" delicados, precisam sobreviver, e nos deixam apenas a saudade da saudade.

Beijos, Tânia

Primeira Pessoa disse...

onde antes era pele ficou um mapa, taninha.
onde antes era pele, o pergaminho.
belo poema.

beijão,
r.

José Carlos Sant Anna disse...

a saudade em mim ainda estremece como a minha emoção estreme ao ler este poema tão inquietante, Tania! Curvo-me ante o poema e ainda aceno para falar-lhe da minha saudade porque sei que você me escuta!
Beijos, querida amiga,

Lara Amaral disse...

Sempre tive saudade de algum lugar desconhecido, como se precisasse retornar. Mas poeta é esse ser sem pertencimento, cantando Pasárgadas.

Beijo, Taninha.

jorge pimenta disse...

há um tanto de mim a bater asas em levitação, na ascese das tuas palavras... saudades das borboletas e do voo ele mesmo.

beijo, taninha!