10 de fevereiro de 2014

Inefável


Desafio Poético com Imagens - Imagem: M. Levacy

Dobras
Sobrepostas
De tule.

Para compor
Um rosto
Há que se ter
Muitos véus.

As mulheres
São feitas de
Vento retorcendo
A cortina da sala
Na hora mais pálida
Da ausência.

O homem que ama
Evoca os silfos e espera;
No final da noite
Divisa o olhar fugidio
Da mulher que criou
Para amar para sempre.

Não a tocará jamais
Sob o risco de desfazer
Os cílios e a expressão
Enigmática dos olhos.

É sua e sobreposta.
Mas ele sabe que o amor
É uma ilusão de ótica.

Uma rajada de vento
Pode desfazer a pele
Do amor que enfim veio.

Boca em chamas
Renuncia ao beijo
E devora com o olhar
A musa descorada.

Já amanhece quando o homem
Rabisca o título de um poema

:Inefável...

19 comentários:

Domingos Barroso disse...

des-lum-bran-te
...
(emocionado)

J. Ribas disse...

poema sensível e belo! poesia e mulher... inexplicáveis...! abraços!

cirandeira disse...

Os véus! Ah, os véus tecidos sob as mãos das idealizações: são quantas, as mãos que os tecem?

beijos, Tania

Ana Cecilia Romeu disse...

Taninha,
nem sabes como é bom te ler...
que belo poema!

Deixo um beijo com carinho para uma poeta-pássaro!

António Eduardo Lico disse...

Bela poesia.

José Carlos Sant Anna disse...

És uma sibila e o poema sibilante. Estas imagens me deslumbram, me enchem os olhos, Tania! Perfeito este poema!B
Beijos, Tania!

Adriane Garcia disse...

Que belíssimo!

Adriane Garcia disse...

Que belíssimo.

Ira Buscacio disse...

ah, os véus... inefável! um dos sinônimos de mulher

poema arrebatador, mulher!

bjs, tantos, minha queridona


Assis Freitas disse...

de torar


beijo

Celso Mendes disse...

é realmente inefável uma impressão poética como essa. o que divide a palavra da imagem? talvez não se dividam.

beijo, Tânia.

Adri Aleixo disse...

Hum, minha linda, poema de fazer chorar. Beijos muitos :):)

Graça Pires disse...

"As mulheres
São feitas de
Vento retorcendo
A cortina da sala
Na hora mais pálida
Da ausência."
Gostei mesmo...
Beijo.

jorge pimenta disse...

viagem ao mais recôndito lugar do sentir, sentir-homem, sentir-mulher, sentir-gente, sentir-decifrar os códigos que nos perdem para sempre.

inefável, porque apenas permitido sentir sem palavras.

beijinho!

jorge pimenta disse...

viagem ao mais recôndito lugar do sentir, sentir-homem, sentir-mulher, sentir-gente, sentir-decifrar os códigos que nos perdem para sempre.

inefável, porque apenas permitido sentir sem palavras.

beijinho!

Cris de Souza disse...

Composição de alto nível!

Beijo, violetíssima*

marlene edir severino disse...

Palavras podem definir apenas
ilusão
de ótica

Para sentir!

Abração, Tânia!

Carla Diacov disse...

Tânica, travei (por um tempinho) o meu perfil no facebook! Tenho muitas saudades dos desafios e de ti!
Estou na página:
https://www.facebook.com/CarlaDiacovBlogues?fref=ts

e neste perfil(que era da minha cachorra!):
https://www.facebook.com/juli.nha.77


Tentei te encontrar... sem sucesso. :(

Beijo imenso!

AC disse...

Tânia,
Está a escrever em grande, a inspiração tornou-se, definitivamente, aliada do seu talento.
Após a leitura deste excelente poema, a pena soltou-se, embora abrindo outras bifurcações:

Construir é tentar criar, camada após camada, alicerces capazes de iludir o vento. Ele, contudo, não é fácil de iludir. E, enquanto contorna, vai tecendo, pacientemente, as linhas da nossa imperfeição.
No final parece ficar apenas o discreto rasto da nossa ilusão, mas há sempre algo que a resgata, há sempre alguém que teima em prosseguir.
O vento, por mais que se vanglorie, nunca terá descanso.


Obrigado.
Beijo :)