3 de junho de 2013

Prece de um corpo sem sombra


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bifurca-me
: a devassidão
dos dias claros
anestesia-me
as vísceras.

quero meu outro,
guia da retaguarda
corpo trêmulo
a se estender na estrada
 – ponte para meus abismos.

bifurca-me
: tenho medo
do fulgor sem
contraparte
da vida sem matizes
condenada a ser parte
– simulacro de inteireza;

ontem vi tantos
monstros cintilantes
pés e braços viciados
a querer me levar
para o ordinário
caminho do bem.

não há vertigem
no firmamento
qualquer lugar
onde meu corpo dance
à música de uma lamparina

 –  não há esquinas
em caminhos retos...

bifurca-me
: eu Te peço,
insolente, deus da Escuridão;

devolve a parte
de mim onde
germinam os versos
minha estrada
de regresso
à origem.




5 comentários:

José Carlos Sant Anna disse...

Que poema vigoroso, possesso. Parece não ter ficado nenhum resíduo para dizer depois.
beijoss

António Eduardo Lico disse...

Bela poesia.

Assis Freitas disse...

vigoroso poema



beijo

Cissa Romeu disse...

Taninha-poeta,
Muito belo!

Fiquei pensando do corpo sem sombra,
de um elemento refratário onde a luz passa, mas não fica. Mas o que fica?

Grande beijo!

eurico portugal disse...

a pele raspada administrando a voz, a tua imensa voz, taninha!