15 de maio de 2013

Déjà vu


Arte: Rene Magritte



de tanto
já ter visto
pela primeira vez
o que revejo agora
esse adeus
inscreveu-se na porta.

ir embora
é assombro diário
tremor nas mãos
que não giram a maçaneta:

o adeus atravessa
densas madeiras
e se inscreve
traspassando os dias.







4 comentários:

Assis Freitas disse...

atravessar: verbo de condução



beijo

eurico portugal disse...

adeus que atravessa, deus para cada candeia avessa.
é esta a nossa sina: verso e reverso, ser e não ver, quase homem, quase deus.

beijinho!

José Carlos Sant Anna disse...

É doloroso, mas não há fronteiras para o adeus. Os seus poemas são sempre vigorosos, atravessam-nos deixando cicatrizes.
beijoss

Wilson Caritta disse...

Muito lindo, denso e consistente, capaz de atravessar as portas!!

bjos poeta!