11 de abril de 2010

Azul-turquesa



No abismo azul-turquesa do papel, depositei meu voo – e você veio!
Mãos emplumadas ruflando agora um verso que é seu,
de um poema ainda sem forma e sem cor...
Você veio com o desvelo incomum dos que resgatam os mortos e lhes sopram a vida...
Veio da ferida que não cicatrizou nunca.
Da côncava dor.
Dos gritos embolorados
– você veio alado, como chegam as aves e os anjos.
Guardião dos sonhos, veio empunhando o cetro.
Sem caminhos retos, que o tempo ziguezagueia,
e ascendendo sinuosamente às montanhas dos meus devaneios.
Soube que viera pelo brilho de asas na escuridão,
pelo embrião da agonia que se instalara em mim,
pelas palavras como “vento”, “frêmito” e “silêncio” que me acudiam à mente. Você veio, e eu profundamente mirei o vazio do papel
na ânsia de fecundá-lo....
(Tânia Contreiras)

4 comentários:

catysilveira disse...

Bommmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmm!
Fecundar o papel, meu Deus! Sutileza a toda prova!!! Vc me fez respeitar todo e qualquer escorpiniano!

Leonardo B. disse...

[delicadamente reiventando um mundo, como se fora um cisco de trovão, um palavra em bala de canhão, suavemente]

um imenso abraço, Tânia

Leonardo B.

Gisela Rosa disse...

Gisti Tânia! Não deixe nunca de escrever!

Um beijo!

Tânia regina Contreiras disse...

PESSOAS, muito obrigada pela presença. Gisela, Leionardo, sou perdidamente apaixonada pela poesia de vocês! Cata, que bom que veio.
Beijos