8 de setembro de 2013

Delírio verde



Desafio Poético com Imagens - Arte: Michael Bilotta






sou ser aeróbico:

sudação e gutação
nesse ínfimo pranto
que na noite reluz
feito estrela na pele.

preciso contar
meu segredo de
folha invaginante.

falta-me o pecíolo
e qualquer coisa mais
que não consigo falar.

eu bem tentei te contar
eu bem tentei inventar
eu bem tentei descrever

mas não pude
– eu não soube.


preciso ser gavinha
me enroscar nas
hastes frágeis das palavras
humana arte que estranho aprender.

eu queria que soubesses
eu queria que viesses
em minha direção com
um regador verde-limão
eu queria tanto as tuas mãos
sobre essa pele que germina orvalhos.

agora é tarde
já me tomas
como gente
sem decifrar
o abismo entre
nossos reinos.

sou fotossíntese
e respiração.

essa paixão é delírio.


6 comentários:

cirandeira disse...

E eu que pensava toda paixão ser delírio, todo delírio não decifrar reinos, cores e segredos...!?

beijos, poeta incandescente!!!

Assis Freitas disse...

"de repente me lembrei do verde"




beijo

Cris de Souza disse...

O verde dá o que pensar...

Outro beijo*

Cris de Souza disse...

O verde dá o que pensar...

Outro beijo*

José Carlos Sant Anna disse...

Nossa, Tania! A a tua luminosidade pede passagem, deixa-me perder-me também "nessa paixão" (rs). Gostei demais do poema, moça!
beijos,

Domingos Barroso disse...

"agora é tarde
já me tomas
como gente
sem decifrar
o abismo entre
nossos reinos."


arrebatar-se,
deslumbrar-se
...

beijo carinhoso,
querida Tania
...