9 de julho de 2013

Fronteira







Imagem: Erin Mulvehill


A pele de vidro
Me recusa as mãos.

Quero a carícia
Sem corte
E as florescências
Na ponta dos dedos
Que conheço do meu mundo.

O paradoxo
Dessa fronteira
É a transparência:

Dois mundos opostos
Divididos pela
Pele de vidro
Que me corta a carne.


Quero de volta
A pele que escuta
Pelos poros e que
Guarda segredos
Por dentro das veias.


Quero de novo
A dúvida como lei
E um rei ébrio de poesia
A governar todos os homens.


Peço que me deixem ir.
Quero voltar para o lugar
De onde eu parti.

Por favor: tirem-me daqui!

4 comentários:

Assis Freitas disse...

estes teus cantos desatam nós
tão vítreos


beijos

António Eduardo Lico disse...

Bela poesia.

Joelma B. disse...

há anseios que são percebidos apenas sob luz negra!

beijos, querida poeta musa!

José Carlos Sant Anna disse...

Este canto de anseios seduz o leitor. Esta organização da música, do ritmo e da palavra tocados pelos teus anseios desce no fundo da lama do leitor. Acho que você é uma bruxa!
Beijos Tânia,