21 de junho de 2013

Porque eu sou “noob”










Poder conviver com gente jovem é uma bênção e também um desafio. A gente bem que tenta parecer atualizado, escolhe as palavras para nos dirigirmos a eles, corre dos micos, faz um esforço para mostrar que, sim, entendemos seus pontos de vista etc. e tal, mas leva sempre desvantagem. O momento de efervescência que envolveu todo o país nos últimos dias dá a medida de que, por mais que tentemos, “jovem é outro papo”, como repetia um personagem do saudoso humorista Chico Anísio, nos idos dos anos 80.

Eu confesso que às vezes fico aturdida, quando ouço dessa meninada algumas expressões – e elas variam assustadoramente, mal decifro uma, e vêm outras a me desafiar. Lembro a primeira vez que minha sobrinha me chamou de “noob”. A  reação inicial foi fazer cara de paisagem, não demonstrar que não sabia se aquilo era ou não um desqualificação forte, da qual precisasse me defender, com brios de quem não admitia estar desatualizada. Mas, a verdade é que eu não sabia – ou queria fazer de conta – o que ela queria dizer.

Com o tempo, a expressão foi se repetindo várias vezes e eu, atenta, já podia ter mais ou menos uma ideia “do que eu era”. Perguntar não adiantou muito, porque “noob era noob”, ora. Bem, bastava eu não esquecer que, o tempo passa, mas jovens são sempre jovens, em qualquer época da vida. Mudam-se as expressões, mas o sentido não se altera muito. Eu certamente já havia chamado, um dia, os mais velhos de “noob”. Bastava descobrir qual a expressão que, na minha época, correspondia àquele “noob” dito com tanta graça e um sorriso matreiro que – eu sentia – mostravam que não era de tudo ruim ser “noob”. Mas, qual era mesmo a expressão? Já não lembrava.

Hoje Beatriz faz 15 anos. Desejei-lhe parabéns derretidamente, sem perder de vista que, naquele momento, eu poderia estar entregando toda a minha “noobice” pra ela. Ouviu amorosamente. No fundo, no fundo, eu me contive. A vontade era falar que o tempo passara. Que ainda ontem ela estava pequeninha e eu lhe pedia a “mãozinha”, e ela dava, deixando aquela pequena concha perdida entre as minhas mãos adultas de tia. Queria também lembrar que, inúmeras vezes, ao colocá-la para dormir, tinha que pôr uma música dançante, um tanto agitada, que só parava quando o brinquedo que carregava nas mãozinhas, sempre que o sono chegava, caía ao chão, anunciando que a guerreira foi vencida. Bem, mas eu não fiz nada disso. Falei que a amava, um tanto sem jeito, receosa de ouvir, quem sabe, uma nova expressão revelando que, sim, o tempo passara e eu envelhecera mesmo.

Ficou o registro do imenso amor por essa jovem que eu insisto em não ver crescida. Sim, não tenho como negar: eu sou noob!  E ser noob é permanecer amando com o mesmo amor despertado no primeiro dia, no primeiro olhar. Bia, parabéns! Que você seja muito e muito feliz e compreenda que é difícil aceitar que o tempo passou. Amo você!


6 comentários:

iiiiiio disse...

NOOB! <3

Por que você faz poema? disse...

É bom ser noob,
é bom ser curioso
e estar aberto às novidades.

Chato é quem acha que conhece tudo.





PS.: Me vi, através de você, no Cirandeira.

Verso Aberto disse...

é boon ser noob
rsrsrs

abração Tania

Sônia Brandão disse...

Bonito de ver esse amor.
Parabéns para a Bia.

bjs

Fred Caju disse...

Engraçado... No meu tempo de moleque eu que saía investigando o vocabulário e hábitos dos mais velhos. Deu no que deu.

José Carlos Sant Anna disse...

Quanta delicadeza para confessar-se noob, mais do que isso, para novamente (porque o fez uma vez aqui) revelar os laços que a prendem a Beatriz, de modo tão sincero. Você não é uma Tiazinha...
Beijos, Tânia!