23 de novembro de 2012

Coito de olhares



Um coito afoito
de olhares.

Eu não te disse nada
e nem sei quem eras.

mas o que me separava
de ti era somente corpos
meu e teu, desconhecidos.


Um coito afoito
de olhares.

Quem eras tu
e eu quem era...

Seriam séculos
de espera
e esse encontro no sinal?

Atenção
o sinal vai abrir
e tomaremos rumos
diversos.

Um coito afoito
de olhares.

Estridente buzina
e a sina da separação.

Atenção
o sinal vai abrir
e o teu sêmen
derrama-se
feito lágrimas
sobre meu rosto.

18 comentários:

Assis Freitas disse...

Pessoa, na alma de Campos, tem um poema que fala desse encontro de olhares dos que nunca vão se conhecer,


beijo

Luiz Neves de Castro disse...

Tania,

Gostei tanto do poema que
republiquei integralmente seu Post no Carrancas Literárias.

Um olhar e um beijo afetuoso

cirandeira disse...

Tânia, teu relacionamento com a
Poesia está cada dia mais forte: já
vislumbro muitos orgasmos múltiplos!!!
Sentirei saudades!

beijos, querida poeta!!!

cirandeira disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Mariseven Zanon disse...

Uau! Adorei!
Um abraço e ótimo fim de semana!
Vou ficando por aqui, não quero deixar de ler nada...!

eurico portugal disse...

quando o que nos separa do outro somos nós mesmos, olhar de viés, corpo oblíquo e sémen esquivo.

palavras à flor da pele em respiração inteira, taninha!

beijo!

Nilson Barcelli disse...

Vi este poema no blogue da "Bípede Falante"... A Tania e ela são a mesma pessoa? Parace óbvio, mas...
O poema é excelente, já o disse.
Beijo.

dade amorim disse...

Também lembrei do poema de Pessoa. O poema é lindo, Tania, e retrata um encontro que acontece algumas vezes na vida da gente.
Beijos

Ira Buscacio disse...

Tânia, fodástico!!!!!
Um assombro de poema, o tema é perfeito e essa sua trepada com a poesia é de jorrar gozo nos leitores
bjão, esperando a volta

AC disse...

No entrecruzar de corpos e almas, há momentos tão únicos, tão especiais, que nunca concedem segunda oportunidade. Ou se apanha o trem naquela hora ou...
(A sua poesia é muito lúcida, Tânia, dispensa por completo o acessório)

Beijo :)

Cris de Souza disse...

Arrebatador! Aliás, teus últimos poemas são de primeira linha. Sem desmerecer os demais, naturalmente.

Beijo, violeta!

Sônia Brandão disse...

Não há nada mais penetrante do que certos olhares.

bjs

Eleonora Marino Duarte disse...

era uma vez um ele e uma ela que nunca foram...
e tanto poderiam...

Tânia, além do inebriante refrão:« coito afoito de olhares» que é genial, ainda conseguiste descrever o que muitas vezes nos acontece pela vida, o instante que parece poder mudar o rumo de tudo e no entanto... esvai-se, «feito lágrimas
sobre meu rosto.»

mágico poema.

PS: hoje corrigi o incorrigível: pus o seu blog na minha lista de blogs no versos & ideias... e nem sei o motivo de lá não estar antes... me perdoe.

um beijo.

F. Carolina disse...

Buzinas externas... buzinas internas... todas alertas para o amor.

Um beijo!

LauraAlberto disse...

deixas-me comovida
este encontro impossível...
levo-o comigo

beijinho

LauraAlberto disse...

ah, a tua poesia está a crescer, muito!!!!

Joelma B. disse...

adoro coito de olhares... adoro!

beijo, poeta!

Domingos Barroso disse...

lágrimas e sêmen
fecundam,sim,
fecundam
...


beijo carinhoso,
Tânia.