21 de outubro de 2012

De quatro

 
 
 
Procuro meus iguais
Desde que nasci.
Marcas invisíveis
Senhas adormecidas
Olhos de esquecimento.
Procuro pelos meus
Apurando o faro
Andando de quatro
Comendo placenta
Sem ter parido.
Procuro meus iguais
Desconstruindo palavras
Dilatando pupilas
Eriçando pêlos
E derramando seivas
A cada corte na pele.
Passaram-se anos
Para que eu compreendesse
Que era preciso encostar
O ouvido nos ventres
E escutar os tambores
No côncavo templo
Há tanto tempo esquecido.  

22 comentários:

bispo filho disse...

é bom encontrar meus iguais, Tânia.
belo poema. bela foto-ilustração.
adorei.
abraços do
bf.

Daniela Delias disse...

Me senti entre os teus, teus iguais. Poema forte, forte e belo!

Beijos!

Bípede Falante disse...

Tania, os seus iguais te aguardam ansiosos ainda que você seja tão única.
Belíssimo poema.
Estou emocionada.

beijoss

nilson disse...

Olhar selvagem.
Instinto selvagem.
Faro, tato, gana.
Sem voz, sem verbo.
Rugidos, uivos, grunhidos.
E todos são tão diferentes.
Todos.
Nos perdemos na dominação e no medo.
E o afeto... O afeto, essa sede tão insaciável, permanece.
Seguimos na selva.
Caçando e sendo caçados.
Errantes em busca de um afago de alma.

Por que você faz poema? disse...

Procuro meus iguais pelas diferenças.

Assis Freitas disse...

um poema, que maravilha, escuto os tambores


beijo

Leonardo B. disse...


[e pelo som,

da palavra
nos reconhecemos.]

um imenso abraço. Tânia

Leonardo B.

Mailson Furtado Viana disse...

Gostei Tania do teu espaço e do teu trabalho. Da mesma forma, seguirei vc e assim trocaremos experiências, espero que bastante proveitosas!

Eleonora Marino Duarte disse...

é tão importante encontrar a nossa "tribo"...

puxa, Tanita, eu sou da sua tribo, penso que sou!

:)

muito bonito, poema, ilustração, emoção.

um beijo imenso.

cirandeira disse...

O côncavo templo! Tão cheio de labirintos de segredos silentes,
de sentimentos profundos, permance
incólume e cada vez mais flexível
para abrigar e ouvir com apuro o
som de seus iguais, para emanar
poesia!!!
PARABÉNS POR ESSE BELÍSSIMO POEMA!

um beijo

José Carlos Sant Anna disse...

Não precisei encostar meu ouvido na terra para ouvir os tambores, um poema vigoroso com este se espalha pelo mundo. Palmas para os que fazem e fazem bem!
beijoss

Domingos Barroso disse...

Bravo!

procurar os iguais,
acender os cílios
com lágrimas
de fogo!

beijo carinhoso,
Tânia e boa noite.

silvia zappia disse...

ohhhh!!! maravilla!


beijo*

Lu Guedes disse...

O que dizer depois de ler um poema que te faz fazer uma pausa no meio de um principiar de tarde? Não sei dizer muito, meu sentir nem sempre se traduz, só posso dizer que olhei pra mim mesma e vi o precipitar de outro. rs

bacio

F. Carolina disse...

Desculpe pelo palavreado, mas:

#Dú caráleo!

Surpreendi-me e emocionei-me.

Um beijo.

dade amorim disse...

Que poema forte, de grande beleza, Tania!
Acho que todos nós procuramos nossos iguais, embora nem sempre os encontremos. E chega um dia em que compreendemos o que é preciso fazer.
Beijo beijo.

Cris de Souza disse...

Eis uma criação espantosa!

Beijo, violeta*

Fred Caju disse...

Que a busca não cesse.

Tatiana disse...

Senhas adormecidas...côncavo templo...
que emocionante texto, Tania! A busca é sempre eterna, inata.
beijo, querida!

Tania Anjos disse...

Ainda bem que os sons não desistem dos ouvidos...

Gostei da intensidade da linguagem e despreocupação com a forma. Belo poema!


Beijo!

Domingos Barroso disse...

Escrevi uns versinhos pra ti lá no Lacaio, beijo carinhoso.

Joelma B. disse...

"Procuro meus iguais
Desconstruindo palavras
Dilatando pupilas
Eriçando pêlos
E derramando seivas
A cada corte na pele."

maravilha!!

:*