29 de agosto de 2011

SETE ASAS



Foi Lilith
Quem me fez
Rasgar o véu
E me cravou  na pele
A insígnia da noite.

Foi ela
Quem me abriu os olhos
Para a poesia escura
Do sangue com a terra
Dos rugidos ecoantes das feras
Sob o domínio noturno
Das fêmeas.

Foi Lilith
Quem abriu a fenda no útero
E dela fez boca.

Só ela, a Lua Escura,
Pôde me fazer entender
Que duas asas são sonhos masculinos
Porque mulheres rememoram
As sete asas com as quais
Percorreram a escuridão
Onde estabeleceram seu reino.

Belo presente da Cris de Souza pra mim no:
http://tremdalira.blogspot.com/2011/09/r-m-l-h-e-t-e.html

22 comentários:

ediney disse...

Poesia escura, mulheres que vencem a escuridão, a ideia que da tortura se tira algo de bom, que afinal depois da meia noite é dia, tudo temperado em uma circular musicalidade, oras em noturnos ora em luz, assim fui rodando rodando nestes versos de mulheres que sentem dor, mas sobrevivem aos ensinamentos do "mestre"

Arnoldo Pimentel disse...

Um poema tão belo quanto forte.Beijos

Suzana Martins disse...

A beleza das palavras dispersam as asas do poema num encontro de alma e coração. São os versos que rasgam o sentir num poemar sem fim...

belo.

beijos

MIRZE disse...

Belíssimo poema!

Clareia mente e corpo. Um poema alado é sempre belo!

Beijos

Mirze

Rayuela disse...

bellos versos, oscuramente bellos


besos*

marlene edir severino disse...

Lua nova!
Estamos em dias de Lilith,
alçando voo...
Dias de isolamento, propicia o desapego, terreno propício à poesia.

Belo, forte teu poema, Tânia!

Beijos!

Assis Freitas disse...

eu não tinha imaginado tantas asas para voo, assim neste negrume alado



beijo

Sandrio cândido. disse...

Nossa, impactante mas gostoso de se ler e de deixar fluir nossa imaginação sobre as imagens
beijos

Eurico disse...

Te encontro assim noir.
Essa é uma beleza que me cala fundo.

Abç fra/terno

Celso Mendes disse...

Lindo, lindo. Não teve como não me lembrar de um poema de minha amiga e grande poetisa Rosa Cardoso:

SIBILA

no meu céu de baunilha
flutuam mentiras azuis
ladeadas pelas sereias decapitadas

o mesmo céu onde o criador vigia
escondo-me na folha branca

nesses versos ateus
lilith pisca o olho
serpenteia pela rua
flertando com evas dispersas
rebola fantasticamente
sorrio e rabisco armaduras

ela as ignora
enrosca-se às minhas costas

pensamos beijos-tempestade
abraços-nuvem
marasmos sem fim
sibilamos feitiços pagãos
pele e mar sob a lua santa

sorrio na rua vazia
delírio findado
ficam os dentes

metade do meu sorriso é dela
serpenteamos juntas

lilith e eu
poetisas enfastiadas trancadas em prosa e
em verso enoveladas

(Rosa Cardoso)

Beijo!

Mar Arável disse...

Há sempre alguém que nos despertam asas

Domingos Barroso disse...

Poema que arrebata
e no arrebatamento
encanta
...


Beijo carinhoso.

Lua Nova disse...

Lilith, nosso lado obscuro, a esperança da luz nas sombras da Lua Nova, a sedução da serpente sinuosa e sibilante, o útero fertil da Terra.
Forte, bela e misteriosa poesia. Me fez lembrar a cultura Wicca e o matriarcado da deusa pagã de Avalon.
Beijokas.

a vida em toda a dimensão disse...

Os poetas têm o dom de inventar
palavras e de as arrumarem de
uma forma tão especial que dizem
as coisas de uma forma muito
sensível.
Bj./Irene

MOISÉS POETA disse...

Instigante e forte !
mistico e de rara beleza.

Tânia , querida!
a sua poesia é nota dez !

Um beijo !

Claudinha Antunes BA disse...

A beleza, força e delicadeza deste poema me remetem a este fim de semana de Danças Circulares em que a sutileza da circulação da energia me fizeram sentir sua vibração.
Precisamos marcar para dançar! Mover esta energia com a força e a leveza do nosso feminino! Bjs e uma semana de plenitude e propósito!

Bípede Falante disse...

Acabo de descobrir por que consigo levantar mesmo com uma asa quebrada!
Lindo de morrer, lindo de voar o poema da Cris!
beijoss :)

Fred Caju disse...

É inerente a Lilith transmitir seu conhecimento as suas filhas.

Wania Victoria disse...

Taninha, duas asas são realmente insuficientes para se vencer a escuridão e delimitar os limites do feminino!



Linda e profunda poesia, crava na pele!

Bjs, minha querida!

Jorge Pimenta disse...

todas as palavras têm as suas asas mas só algumas ensinam a voar.
belíssimo! admirável a escrita da cris e a imensidão do teu coração, taninha!
beijos!

cirandeira disse...

Um belo e forte poema de uma para outra filha,dignas representantes
de Lilith!
PARABÉNS! para as duas!!!

E obrigada pela visita, Tânia, fiquei muito feliz!

beijoss

Graça Pereira disse...

Um poema que ganhou asas e venceu a escuridão da noite! Belissimo!
Beijo amigo.
Graça