8 de outubro de 2017

Hálito








A Poesia
é um  hálito
- de quem é
a boca?                

2 de outubro de 2017

Um minuto de silêncio, please!





Sempre haverá uma palavra. Não, nem sempre haverá. Há tempo de explosão e miríade. E há tempo de se adentrar o mais íntimo infinito. Nem sempre haverá uma palavra. À tona das águas, ainda um silêncio mímico. Viciado. Mais fundo, o silêncio a dissolver-se em outro silêncio maior. Até que venha o Grão-Silêncio. Muitos não tolerão os decibéis da sagrada surdez. Tímpanos atrofiarão. Os que ainda tiverem um resto de voz griatarão: por favor, eu quero te escutar! Mas já será tarde. E depois - cedo! Nessa misteriosa e eterna dança circular.
Paz e Luz!

Entrai!





Do lado
de dentro
sempre
há saídas
e dentro
do dentro
infinitas
avenidas
fachadas
coloridas
e o aviso
para entrar
para o lado
de dentro
: DENTRO
é infinito!

À volta do exílio







Palavras
desacreditadas
palavras
marginais
- amaldiçoadas
- impotentes
- livres, pois que
incoerentes
uma boca que
se abrisse a elas
cordas vocais
dissonantes
o brilho solitário
o pequeno
cômodo aceso
à meia-luz
: raquíticas palavras
em busca do som
de todas as línguas
para e x.i.s.t.i.r.e.m