3 de abril de 2017

O Livro Mágico de Joana: Na tua própria estação







Arte: alexei antonov


Pedra
Ignorada
Pelo corpo
Ancorado
- Alheia às
Águas que
A circundam.

Dor
Tecendo
O coração
Que a suporte
- Latejar ritimado
De nervos inflamados
Por danças ardentes.

Gente-gente
Aninhando a
Ternura secreta
Imune à Devastação.
Escuta o que digo
E não repita nunca
Se na tua alma ainda
Não for Primavera.
Arte: alexei antonov

2 de abril de 2017

O Livro Mágico de Joana: Olhos que veem por dentro





PETRU BOTEZATU



Cale-se.
Dirão que
É loucura
Os de retinas
Rosáceas.
Os acadêmicos
Da alma falarão
Que é projeção.
Sombra
Neurose
Paranoia
Obsessão.
Cale-se.
Nunca saberão
Nunca saberão.

31 de março de 2017

O Livro Mágico de Joana: Revelações



Arte: Miguel Hachen
Epifânicas
Entrelinhas
Iluminam
O poema
- Pássaros raros
Não se aninham
Em fios de pautas

O Livro Mágico de Joana: O Tempo é Deusa








É uma Deusa
O Tempo.
A boca sedutora
Devora os ponteiros
Do relógio.
Os amanhãs duram
Eternidades
- Não há fim ou começo.
Prostra-se nua no
Sertão da dor ou
Nos ilusórios contos
De fada onde batem
Corações de seda.
A Deusa
É grande e
Sinuosa ampulheta
- Espreme na cintura
O anseio de seus quadris.
O Tempo
É a Deusa
A quem se
Atribui a cura
De todos os males.

Nem sempre o Tempo
Espera, a fiar mortalhas
E cansar o braço, sem poder
Deitar-se nos abraços
De Morfeu.