31 de março de 2017

O Livro Mágico de Joana: Revelações



Arte: Miguel Hachen
Epifânicas
Entrelinhas
Iluminam
O poema
- Pássaros raros
Não se aninham
Em fios de pautas

O Livro Mágico de Joana: O Tempo é Deusa








É uma Deusa
O Tempo.
A boca sedutora
Devora os ponteiros
Do relógio.
Os amanhãs duram
Eternidades
- Não há fim ou começo.
Prostra-se nua no
Sertão da dor ou
Nos ilusórios contos
De fada onde batem
Corações de seda.
A Deusa
É grande e
Sinuosa ampulheta
- Espreme na cintura
O anseio de seus quadris.
O Tempo
É a Deusa
A quem se
Atribui a cura
De todos os males.

Nem sempre o Tempo
Espera, a fiar mortalhas
E cansar o braço, sem poder
Deitar-se nos abraços
De Morfeu.

Do Livro Mágico de Joana: Sina









O futuro
É sempre
O outro lado
Da parede.

As faces
Metamorfoseiam-se
A cada pedra derrubada.

No final, a descoberta de
Que nada habita a veste
Emoldurada para a próxima
Cor do teu  Mistério.


O Livro Mágico de Joana (XVII)






Pele de
Pétala
Dói de
Enlouquecer
Às vezes
É preciso
Atadura
Aramadura
Ouvidos moucos
Pele de
Pátala
Dispensa
Cosmético
Filtro solar
- Mas jamais
O mar profundo
Superfíe de algas
Jardins submersos
Que exalam o perfume
Dos lírios abissais.