21 de outubro de 2016

Votos de casamento consigo mesma









Amo-me
E me amarei
Com pacíficos
E bélicos afetos.

Na alegria
E na tristeza ;
Alpinista e
Abissal
 – Amarei-me
Verticalmente
Das estrelas aos
Vermes.

Meu ventre é
Vaso da vida
Rebento no solo
De carne e sangue
Que expulsa a flor
Para o seu destino de
Pássaro,

Amo-me
Incoerente
Indecisa
Ardente
Lasciva
: Amo-me
Mulher.

Prometo
A inconstância
Na eternidade
Do Amor;

Sou flor
Com espinhos
: Guardiões da
Frágil delicadeza.

Serei fiel ao arco-íris
Da minha alma policromada;
Mas se amada
Mas se amando
– A mim me unirei
Até que a Morte nos
Reúna em um só pó.

19 de outubro de 2016

A inocência tem os pés nus





Impossível
Caber na
Floresta
Virgem da
Infância
Sem descer
Dos saltos
 – A inocência
Tem os pés nus.



Um verso perdido






Prenderam
Um homem
Que disparou
Um verso
Atingindo
Fatalmente
Uma senhora
A caminho da igreja.
A mulher
Deitada no chão
Olhava as estrelas
E falava com os Deuses
Que brotavam no asfalto
Em forma de flor.

14 de outubro de 2016

O eu sem forma







Criança
Eu só existia
Por dentro.
O pé furava
A carne sangrava
A garganta Inflamava
A cabeça partia
- E eu não sabia
Quem é que doía
Em mim.