Do 107º Desafio Poético com Imagens - Arte: M. Iordache
Exalo pássaros
quando me extingo.
Agonizantes não encontram leitos
nas alas dos que simulam vida.
Agonizantes não encontram portas
entre as névoas que encobrem o Além.
São as fronteiras de pedras assimétricas
que acolhem os mortos-vivos
: seres que entremeiam o sono e a vigília.
Antes de ir é preciso libertar os pássaros.
Deitar sobre a pedra fria que se ergue no nada.
Esvaziar-se do espanto da vida e da morte.
Abrando-me.
Amorteço-me.
Cubro o sexo com
a sobra da cortina
do último ato.
Há uma fragrância alada
que me preserva da putrefação.
Ainda ruflam anseios e vertigens
em busca de poros dilatados.
Enquanto me extingo
exalo pássaros.
Findar-se é
uma revoada
dissolvendo-se
sobre o azul da tela...